A trapalhada volta ás escolas


APÓS POUCO MAIS DE UM ANO DESDE A IMPLEMENTAÇÃO DO ACTUAL MODELO DE GESTÃO, AS ESCOLAS DO ENSINO PÚBLICO VOLTAM A SER OBRIGADAS A REORGANIZAR-SE SEM SEREM CONSULTADAS.

O primeiro ministro e o governo PS  voltaram em força a uma das actividades  que melhor sabem desenvolver: atentar contra o ensino público.

Agora que as escolas e os docentes procuram a adaptação possível ao ainda recente quadro legal herdado do tempo da anterior ministra M.L. Rodrigues, Sócrates e a nova titular da pasta da educação aí estão de novo a introduzir significativas alterarações na orgânica das escolas.

Os directores e os membros das direcções de escolas e agrupamentos ainda nem aqueceram os seus lugares, no entanto grande parte terá que sair.

Há pouco mais de um ano atrás, as escolas do ensino básico foram obrigadas a substituir a experiência bem sucedida dos Conselhos Executivos-  com vinte anos de gestão colegial eleita de forma directa e democrática – pelo actual modelo de gestão, assente num órgão unipessoal eleito por um pequeno número de membros da comunidade escolar, integrantes do conselho geral dos agrupamentos de escolas.  

A adaptação ao novo modelo estava a fazer-se com a serenidade inerente à introdução de mudanças indesejadas por grande parte dos membros da comunidade escolar.

Com a imposição de novos mega agrupamentos regressa a confusão e a instabilidade às escolas, prejudicando a concentração dos agentes educativos na principal função da escola: transmitir e acessibilizar conhecimentos. Estas medidas, que ignoram as opiniões de pais e professores, lançam as escolas num sobressalto, recolocando-lhe  problemas organizacionais, pedagógicos, logísticos e de liderança.

Pretende juntar-se debaixo da alçada de um só director os meninos de 4 e 5 anos do ensino pré-escolar e os jovens de 17 e 18 anos do 12º ano.

No concelho de Cascais, como em vários pontos do país, já é sensível a apreensão e  contestação entre pais e professores.

Informações ainda não completamente confirmadas apontam para a formação de um novo agrupamento resultante da união da EB 2,3 da Galiza com a Escola Secundária de S.João. Já em Alcabideche a confusão é muito maior, visto estar sobre a mesa um plano para manter separadas a EB 2,3 de Alcabideche e a Secundária Ibn Mucana, sita a 300 metros da primeira, forçando esta última a ir agrupar com uma escola do Monte Estoril, a mais de sete kilómetros!

Porque não consultam as escolas, as associações de pais, os agentes educativos e as comunidades do conselho, acerca de uma problemática que em primeiro lugar lhes diz respeito?

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