BLOCO OPÕE-SE À PRIVATIZAÇÃO DO ACESSO À CIDADELA DE CASCAIS

Foi anunciado que a Cidadela de Cascais, importante património histórico-cultural do concelho, será transformada em 2011 numa Pousada de Portugal pelo grupo Pestana.

O Bloco de Esquerda condena a posição da Câmara Municipal de Cascais (CMC) de ceder, por um período de 70 anos, este valioso exemplar da arquitectura militar, com uma localização estratégica na Vila e Baía de Cascais, para um hotel de luxo explorado por uma entidade privada. Informação do Blogue

O Bloco manifesta-se ainda contra a possibilidade de, dentro deste conjunto patrimonial, vir a ser permitida a construção de novas edificações numa área de 3.200 m2.

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A nosso ver, a Cidadela deverá ser reabilitada para o usufruto livre das populações e visitantes, cabendo à CMC desenvolver projectos turísticos e culturais que valorizam o património e não propiciam a segregação social.

Infelizmente, a CMC decidiu optou por uma exploração turística de qualidade mas só acessível a uns poucos. Mais uma vez, o executivo camarário afirma o seu projecto de elitização do litoral e do centro de Cascais, não cumprindo o seu dever público de devolver aos cidadãos o que lhes pertence.

Classificada como património de Interesse Público em 1977, este conjunto patrimonial foi cedido à CMC em 2004 para o desenvolvimento de projectos de valorização de um local há muito deixado ao abandono e à degradação física pelo Governo. Em 2008, após a cedência ao município ter sido alargada para os 75 anos, decide a CMC lançar um concurso público internacional, com condições que só atraíram mesmo o investimento do grupo Pestana.

No seu programa para Cascais, o Bloco de Esquerda defenderá outra utilização para a Cidadela.

1. A instalação de uma Pousada da Juventude, destinada a atrair jovens de todos os países e acessível a pessoas de todas as idades, através da negociação entre a CMC e o Ministro da tutela ou mesmo pela aplicação de um projecto municipal.

2. A cedência de vários dos espaços vazios na Cidadela para jovens artistas criadores, nas mais diversas áreas, acompanhada do desenvolvimento de programas multiculturais e de projectos inovadores na área do ambiente e turismo.

Defendemos ainda que o Governo não se pode demitir da sua responsabilidade pública de preservação e reabilitação do património histórico, simplesmente cedendo às Câmaras Municipais, com prazo limitado, a sua gestão. As Câmaras Municipais devem ter um papel central na valorização e dinamização do património que têm no seu território, mas as responsabilidades pela sua salvaguarda devem ser partilhadas.

 

 

Leia no DN um comentário do Presidente da CMC

2 Comentários em “BLOCO OPÕE-SE À PRIVATIZAÇÃO DO ACESSO À CIDADELA DE CASCAIS”

  1. Helena Rodrigues diz:

    Em resposta à acusação de “delírio demagógico” e de “profunda ignorância” do Bloco, nas palavras do presidente da Câmara de Cascais, no que respeita às previsíveis consequências da privatização da Cidadela, bom seria que fossem publicamente anunciadas, então, as contrapartidas de interesse público que o concessionário da Cidadela terá de cumprir. Para além dos inevitáveis empregos que qualquer empreendimento gera e que o Bloco obviamente valoriza mas que outro tipo de aproveitamento (social e cultural) do espaço e do património histórico também poderia propiciar, sem fazer da Cidadela (mais) um feudo de quem tem dinheiro para frequentar pousadas. Ou será que as bem conhecidas pousadas do grupo Pestana estão abertas ao público não consumidor (não pagante) e eu ainda não dei por isso?!


  2. Helena Rodrigues diz:

    Interessante também que para o espaço concessionado ao grupo Pestana estejam já celebrados protocolos com os Museus Berardo e do Oriente, como afirma o Dr. Capucho. Ainda o projecto está como está… mas é claro que a relação privilegiada entre o Museu do Oriente e o grupo Pestana sempre facilita qualquer negociação.


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