Capucho instrumentaliza atletas para fazer campanha em Cascais

António Capucho, presidente da Câmara de Cascais e candidado da direitaO Bloco de Esquerda de Cascais teve conhecimento que a candidatura autárquica da coligação PSD/CDS, encabeçada por António Capucho, instrumentalizou os atletas do Pavilhão Desportivo dos Lombos, muitos dos quais jovens menores de idade, para uma acção de campanha eleitoral.


Estes atletas foram convocados, pelos seus treinadores (os quais foram para tal instruídos pela Direcção do Clube Desportivo dos Lombos), para comparecerem no dia 5 de Outubro, pelas 18 horas, num “lanche de Gala” no Pavilhão dos Lombos.

Esta iniciativa foi apresentada como um convívio entre os atletas de diversas modalidades, apresentação de equipas desportivas e entrega de prémios de um torneio. Chegados à iniciativa, os atletas depararam-se com uma acção de campanha da coligação PSD/CDS e discurso de propaganda eleitoral feito por António Capucho, e ainda cocktail a acompanhar.

Os atletas não foram informados sobre o real âmbito da iniciativa para que foram convidados nem sequer foi requerida qualquer autorização aos tutores dos jovens menores de idade para a mesma. Além disso, foram servidas bebidas alcoólicas (champanhe) no referido cocktail, inclusive aos menores de idade.

O Bloco de Esquerda considera que esta forma de manipulação para fins de propaganda eleitoral é inadmissível e repudia as práticas de campanha da coligação PSD/CDS e do seu cabeça-de-lista, António Capucho, o qual como Presidente de Câmara em exercício deveria ter atitudes mais responsáveis. O Bloco de Cascais irá apresentar queixa à Comissão Nacional de Eleições sobre estas práticas.

Para além desta denúncia, a candidatura autárquica do Bloco de Esquerda em Cascais realizou esta terça-feira um roteiro a assinalar alguns dos atentados do betão que têm sido cometidos no Parque Natural de Sintra-Cascais. O roteiro teve início no empreendimento do Abano, seguiu pelo resort Marinha Guincho, passou pelo hotel do Oitavos Dunes e finalizou na Quinta da Marinha, tudo obras da responsabilidade do actual executivo camarário, liderado pela coligação encabeçada por António Capucho.

http://www.esquerda.net/

3 Comentários em “Capucho instrumentaliza atletas para fazer campanha em Cascais”

  1. Manuel da Silva diz:

    Os senhores estiveram lá?
    Sabem o que aconteceu?
    Quer-me parecer que, infelizmente, funcionam pelo diz que disse.
    Sou pai e Enc. Ewducaçåo de um atleta menor de idade naquele clube.
    Fui informado por mail do que se ia passar. Fui como me competia assistir ao evento! Fui, gostei, e não me senti instrumentalizado.
    O Clube tem o direito de homenagear quem quer, quando quer e como quer!
    Entregou a António Capucho, Presidente de Câmara (e não enquanto candidato, o prémio personalidade do ano).
    E daí? Onde é que está a instrumentalizacão? Onde é que está a campanha eleitoral?
    Haja Bom Senso!!!


  2. blococascais diz:

    Recebemos o seguinte texto esclarecendo o comentário do Sr. Manuel da Silva.

    “Sobre a denúncia feita por mim, e como mãe e encarregada da educação da minha filha Daniela, menor de idade e atleta federada de basket feminino, sócia do Clube Desportivo dos Lombos, reafirmo que:
    - Não me foi dado prévio conhecimento do contexto real da Gala e constatado no dia 5 de Outubro;
    - Nunca recebi nenhum e-mail nem qualquer participação verbal da presença do Dr. António Capucho na Gala, para que foram convocados os atletas;
    - A informação que me foi transmitida verbalmente pela minha filha (transmitida pelo seu treinador de equipa) e que confirmei com outra mãe, foi de que a Gala tinha como objectivo a apresentação das novas equipas (todos os anos há alterações nas equipas, necessariamente pelos escalões etários pré-estabelecidos e entrada ou saída de atletas do Clube), entrega de prémios e confraternização entre os atletas das diversas modalidades existentes no Clube.
    Acrescento que estranhei o facto de ser feito um jantar de Gala. Neste espaço de tempo existiram torneios, jantares de final de época, jantares de aniversário do Clube, mas nunca tinha sido feita qualquer cerimónia de Gala.

    Fiquei indignada pelo facto de não prevenirem os aletas e encarregados de educação do objectivo “último” do evento. Não aceito que um Clube Desportivo seja imiscuído de campanha eleitoral e ainda menos que distribua champanhe de forma indiscriminada pelos atletas, inclusivé aos menores. Para além de considerar ser um mau estímulo a atletas, existe uma componente legal a ser respeitada, e que neste caso foi efectivamente violada. Refiro ainda que a minha filha mencionou o facto do seu treinador ter tentado impedir que as “miúdas” (“iniciadas” com idades comprendidas entre os 12 e os 14 anos) tivessem acesso ao Champanhe, mas foi ultrapassado pelos factos.

    Se é verdade que o Sr. Manuel da Silva foi informado da situação por e-mail, essa informação não foi passada de forma cuidada aos restantes pais, e nos quais me incluo.
    Da mesma forma que não envolvo os meus filhos nas minhas posições e participações políticas, não aceito que outras pessoas ou entidades o façam, e muito menos sem o “nosso” (meu e da minha filha) prévio conhecimento e consentimento.

    Faço aqui uma pequena nota de que no Clube, a minha filha e as suas colegas de equipa, para praticar a modalidade têm de pagar as respectivas mensalidades e equipamento. A acrescentar a isto, na maioria das vezes, as deslocações para os diversos jogos de torneios e campeonatos são unicamente suportadas pelos pais das atletas, transportando as filhas nos seus carros pessoais, para o efeito. Muitas vezes, são os próprios treinadores a tentarem facilitar o seu transporte, também nas suas viaturas pessoais. E estes sim merecem uma nota de mérito. Tanto quanto sei… parece ter existido um lapso na Gala não lhes tendo sido feita a referência especial devida.
    Anabela César “


  3. Paulina Esteves diz:

    Comissão Nacional de Eleições
    Declaração
    Campanha para as autárquicas com aumento de “casos obscenos”
    24.10.2009 – 15:02 Por Lusa

    As duas últimas eleições autárquicas motivaram quase o mesmo número de queixas à Comissão Nacional de Eleições, mas as de 11 de Outubro inovaram pelos “casos obscenos” e pela “sofisticação da publicidade indirecta”, denunciou hoje o porta-voz daquela comissão.
    A Comissão Nacional de Eleições (CNE) recebeu este mês cerca de 300 queixas sobre as últimas eleições autárquicas – quase o mesmo número das eleições de 2005 -, mas em termos qualitativos a comissão considera que a situação “piorou bastante” este ano.

    “O que piorou bastante foi o comportamento de alguns titulares de cargos nas juntas de freguesia e nas autarquias, que tornaram mais sofisticada a publicidade indirecta” à sua recandidatura, disse à Lusa Nuno Godinho de Matos, adiantando que esta é uma forma não punível de violar a regra da isenção, a que estão sujeitos autarcas e presidentes de junta.

    Das 300 queixas recebidas pela CNE, apenas quatro foram enviadas ao Ministério Público – apenas as que tinham base legal para ser comprovado o dever de isenção.

    “Há casos obscenos”, afirma, exemplificando que um deles foi o de uma autarquia que prometeu, já depois de anunciada a data das eleições, uma redução das tarifas na factura da água enviada para casa dos munícipes.

    “Este caso foi de tal forma explícito que o enviámos para o Ministério Público, mas em muitos, ou mesmo na maioria, isso não foi possível” por falta de base legal, frisou Nuno Godinho de Matos.

    Um dos casos que não foi enviado ao Ministério Público aconteceu no município de Sines, onde o presidente da câmara terá ido, no dia das eleições, para o átrio da escola onde decorria a votação apelando ao voto dos munícipes e distribuindo cópias de boletim de voto com uma cruz assinalada na sua candidatura.

    “Quem me relatou esse caso de Sines foi a governadora civil. Mas, como o candidato se retirou entretanto do local, não houve forma de avançar com o processo”, explicou.

    Outros casos não enviados ao Ministério Público são os que o porta-voz denomina de “sofisticada publicidade indirecta”: “com eleições já marcadas, se assiste a uma invasão de cartazes sobre obra feita pelo autarca que se recandidata, isso é publicidade indirecta”.

    Nuno Godinho explica que num caso destes o conteúdo do cartaz pode ser irrepreensível, e por isso sem punição, mas que a quantidade de cartazes pode ser “uma brutalidade tal” que é visível essa publicidade a uma recandidatura.

    “Mas não podemos fazer nada porque a lei não determina uma quantidade”, afirma, adiantando que pretende propor à comissão que, no seu relatório sobre as eleições, proponha uma alteração à lei eleitoral para vedar a possibilidade de publicidade indirecta nos 60 dias seguintes ao anuncio de eleições.

    Outra das situações denunciadas pela CNE é “o luxo” dos boletins municipais que, embora com textos irrepreensíveis, e assim impunes perante a lei, têm uma qualidade de papel, imagem e grafismo que implicaram gastos enormes com dinheiros públicos e visam chamar a atenção do eleitor para o trabalho feito.

    Publicidade indirecta aconteceu ainda, segundo o porta-voz da CNE, com a oferta de bilhetes para viagens ou espectáculos: “É óptimo que ofereçam bilhetes, mas não no período de campanha eleitoral. É um pouco promíscuo”, afirmou.


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