Cascais debateu mobilidade no Concelho – Como nos deslocamos em Cascais?

 

O Bloco de Esquerda de Cascais organizou, no passado dia 5 de Maio, um debate sobre a mobilidade no concelho, contando com a presença do deputado Heitor de Sousa, especialista em transportes, do sindicalista convidado Luís Oliveira, dirigente do STRUP, e de Tiago Vicente eleito na AM de Cascais pelo BE.

Na introdução do encontro, Tiago Vicente recordou que desde há muito que o Bloco vem apontando a falta de integração da política de transportes no planeamento urbano afecta a qualidade de vida das populações do concelho de Cascais.

Na perspectiva do BE Cascais, reforçar a resposta dos transportes públicos no concelho de Cascais é fundamental, com melhores horários, mais conforto, tarifas sociais e maior articulação entre as operadoras de transporte. Por outro lado, o transporte ferroviário de Cascais necessita ser modernizado e as carreiras devem ser reforçadas e prestar um serviço público com melhor qualidade, pois existe uma grande deficiência nas ligações litoral-interior e interior-interior.

Na sua intervenção, o deputado Heitor de Sousa focou a privatização dos serviços ferroviários, relatando as más experiências ocorridas noutros países, que são lesivas para o Estado e para os utentes.

Luís Oliveira, dirigente sindical do STRUP,  deu o seu testemunho de como os trabalhadores sofrem de repressão e perseguição por parte da administração da empresa (a gestão da Scotturb é a mesma gestão da Vimeca), sem protecção quando são assaltados e a empresa os obriga a repor do seu bolso todo o dinheiro roubado, sendo inclusive então deslocados das suas funções normais como uma espécie de castigo!

O dirigente sindical Luís Oliveira reportou o número de horas excessivo de condução de autocarros que chega a atingir as 14 horas diárias (6 horas extraordinárias…). Como todas as pessoas saberão (pelos vistos com a excepção da gestão desta concessionária das carreiras do concelho de Cascais, entre outros) um número de horas deste teor em condução de autocarros de passageiros, no meio de trânsito intenso, é perigoso demais, pode afectar os reflexos e coloca em risco a segurança dos utentes. O cumprimento dos horários insensatos obriga ainda os motoristas a atingir velocidades excessivas entre paragens.

 

No debate que se seguiu às intervenções foi afirmado que a Scotturb planeia mal os horários das suas carreiras, sem ter em conta as necessidades dos passageiros que atende e pelo transporte dos quais o Estado lhe paga indemnizações compensatórias para prestação de serviço público, sem tomar em consideração as condicionantes locais, sem que a média de idades dos actuais utentes dos transportes seja sequer tida em conta nesses cálculos, sem prever entradas e saídas mais demoradas com populações envelhecidas… Por exemplo, a inclusão de percursos nas 4 carreiras que passaram a servir o novo Hospital de Cascais, e que implicou mais umas quantas rotundas e algumas centenas de metros adicionais para o serviço aos passageiros doentes e seus familiares, não provocou alterações significativas nos horários das carreiras – limitou-se a publicar nos novos folhetos quais os horários em que o autocarro vai ou não vai ao Hospital…

Que serviço público de transportes temos? Que serviço queremos? A Autoridade Metropolitana dos Transportes de Lisboa irá ter, ao abrigo da nova legislação, de renegociar o modelo de concessão contratado com a Scotturb. Importa que a população se (re)comece a organizar em associações de utentes, e que demonstre quais as reais necessidades da população quer no concelho de Cascais quer nos concelhos próximos. As autarquias locais têm aqui um papel importante na defesa dos interesses dos munícipes e fregueses, como seus legítimos representantes. O poder local está limitado – mas ainda há muito que se pode e deve fazer.

A actual gestão da Scotturb não poderá continuar a ficar impávida às críticas e sugestões das pessoas, seria bom que o novo contrato incluisse uma cláusula sobre a obrigatoriedade de cumprimento de critérios de qualidade, entre os quais um serviço ao utente que passe por receber, ouvir, explicar, aceitar as opiniões das pessoas – trabalhadores,  passageiros e autarcas.

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