Despedimentos no Casino Estoril – numa empresa que dá lucro!

Cascais, 20 abr (Lusa) – A comissão de trabalhadores do Casino do Estoril afirmaram-se hoje “desiludidos” com aquilo que consideram ser a falta de resposta do Ministério do Trabalho, sobre a validade dos despedimentos.

“Estamos muito desiludidos. Saímos do Ministério de Pilatos, onde toda a gente lava as mãos e não assume responsabilidades”, disse à Agência Lusa o dirigente da Comissão de Trabalhadores (CT) da Estoril Sol, Clemente Alves.


Da reunião, que teve como objetivo sensibilizar o Governo para o processo de despedimento coletivo de que estão a ser alvo os trabalhadores do Casino do Estoril, Clemente Alves considera que “não houve nada de novo”.

“Solicitámos à Autoridade para as Condições do Trabalho que fiscalizasse a validade formal e material do processo de despedimento e até agora não houve resposta. Saímos daqui da mesma maneira com que entrámos”, sustentou.

Contudo, o responsável sindical promete continuar a luta em defesa dos trabalhadores, através dos tribunais, onde já foi entregue uma providência cautelar, relativa à primeira fase de despedimentos, que se realizou na semana passada.

Por seu turno, o presidente da administração da Estoril Sol, Mário Assis Ferreira, afirmou à Lusa que a decisão de despedimento coletivo foi “penosa”, mas “necessária”, salientando os despedimentos decorreram “de acordo com todos os procedimentos legais”, rejeitando assim a versão do sindicato.

A Agência Lusa tentou obter um comentário sobre a reunião por parte do ministério mas os esforços foram infrutíferos.

A Estoril-Sol, que explora os casinos do Estoril e de Lisboa, anunciou em janeiro o despedimento coletivo de 113 trabalhadores para assegurar a “sobrevivência da empresa”, que teve uma quebra de receitas de 30 milhões de euros nos últimos dois anos.

Posteriormente o despedimento coletivo passou a abranger 112 pessoas, a que foram acrescidos outros 17 despedimentos individuais.

1 Comentário em “Despedimentos no Casino Estoril – numa empresa que dá lucro!”

  1. xavier diz:

    Despedimento colectivo de 112 trabalhadores no Casino Estoril
    Nestas condições não constituirá um escândalo e uma imoralidade proceder-se à destruição da expectativa de vida de tanta gente ? Para mais quando a média de idades das mulheres e homens despedidos se situa nos 49,7 anos ?
    Infelizmente, a notícia de mais um despedimento colectivo tem-se vindo a tornar no nosso país numa situação de banalidade, à qual os órgãos de comunicação social atribuem cada vez menos relevância, deixando por isso escondidos os verdadeiros dramas humanos que sempre estão associados à perda do ganha-pão de um homem, de uma mulher ou de uma família.
    Mas, para além do quase silêncio da comunicação social, o que mais choca os cidadãos atingidos por este flagelo é a impassibilidade do Estado a quem compete, através dos organismos criados para o efeito, vigiar e fazer cumprir os imperativos Constitucionais e legais de protecção ao emprego.
    E o que mais choca ainda é a própria participação do Estado, quer por omissão do cumprimento de deveres quer, sobretudo, por cumplicidade activa no cometimento de actos que objectivamente favorecem o despedimento de trabalhadores.
    Referimo-nos, Senhores Deputados da República, à impassibilidade de organismos como a ACT-Autoridade para as Condições do Trabalho e DGERT (serviço específico do Ministério do Trabalho) que, solicitados a fiscalizar as condições substantivas do despedimento, nada nos respondem.
    Mas referimo-nos também à Direcção-Geral da Inspecção-Geral de Jogos, entidade a quem cumpre fazer cumprir as normas legais da prática dos jogos, que não hesita em violar os imperativos da Lei nº 10/95, de 19 de Janeiro, para possibilitar à empresa o despedimento dos porteiros da sala de jogos tradicionais.
    A corrupção não existe, agora chama-se: Ciência Politica Utilitária


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