Sociedade
Moradores protestam
Cascais: Demolidas as últimas barracas do Bairro do Fim do Mundo
A Câmara de Cascais demoliu hoje as últimas barracas do Bairro do Fim do Mundo, no Estoril, sob o protesto dos moradores que acusam a autarquia de não dar alternativa às pessoas.
Segundo Armandinho Sá, da comissão de moradores do bairro, esta manhã a autarquia demoliu 20 barracas e apesar do “ambiente calmo” os moradores protestaram com cartazes onde se lia “as pessoas não têm alternativas”.
A demolição foi acompanhada por agentes da PSP e da Polícia Municipal
De acordo com a mesma fonte da comissão de moradores, a população tem-se manifestado a favor da destruição das barracas mas reclama da Câmara Municipal de Cascais alternativas de habitação.
O degradado bairro do Fim do Mundo, onde foram recenseados 287 agregados familiares, está a ser desactivado desde 2002, tendo a mais recente demolição, relativa a nove casas, ocorrido em Março.
Acabar com o bairro do Fim do Mundo, no Estoril, foi uma promessa feita por muitos autarcas, mas cuja solução tem demorado a acontecer.
Contactada hoje pela agência Lusa, fonte da Câmara de Cascais escusou-se para já a comentar as acusações dos moradores remetendo declarações para mais tarde.
Lusa
Comentário
Assistimos aqui a um fenómeno recorrente, a contabilização das casas efectuada anos antes da sua atribuição é sempre inferior às reais necessidades dos moradores das barracas no momento da sua eliminação e substituição por habitações sociais.
Esta é uma realidade que já deveria ser do conhecimento das entidades e obrigatoriamente integrada nos planos de atribuição de habitação social. Sob o risco de se proporcionar a criação de um número de Sem-Abrigo, indivíduos ou famílias, com todos os problemas que daqui decorrem obrigatoriamente: doenças, aumento da pobreza, fragilidades várias.
O BE considera que terá de ser feita uma reavaliação desta abordagem e, no imediato, concedidas aos recentes moradores do Bairro do Fim do Mundo não contabilizados no levantamento da CMC, alternativas de habitação imediata e condigna. As pessoas não podem ser culpabilizadas pela sua condição de pobreza, é obrigação da autarquia conceder apoios sociais rápidos a quem deles necessita. Ainda que tenha de ser criada uma comissão de emergência para o efeito e atribuídas casas vazias provisórias da bolsa do concelho.
P.E.
Mas enquanto as pessoas ficam na rua ou a sobrecarregar algum vizinho caridoso… diz a Câmara:
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Cascais: Câmara remete para Estado responsabilidade por desalojados do bairro do Fim do Mundo
09 Junho 2009
Cascais, 09 Jun (Lusa) – O vereador da habitação da Câmara de Cascais remeteu hoje para o Estado a responsabilidade sobre os “casos isolados” das pessoas que ficaram desalojadas após a demolição das últimas barracas do Fim do Mundo.
Em declarações à agência Lusa, Manuel Andrade adiantou que “a Câmara não tem capacidade de realojar os indivíduos isolados, sendo que a primeira responsabilidade é do Governo e não da autarquia”.
“Já me foi pedida uma audiência pela designada Comissão de Moradores do Fim do Mundo e na próxima semana pretendo reunir-me com eles a fim de esclarecer o que se passa e o que devem fazer”, acrescentou o vereador.
Comentário
Pois, e enquanto se discute de quem é a responsabilidade… como ficamos?
P.E.

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