Pobreza e Solidariedade Social
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008
Início AMI em Portugal Acção Social
Os números da Acção Social da AMI em Portugal
Procura dos Centros Porta Amiga cresce 11% em 2007
No ano de 2007 procuraram apoio social da AMI 7.386 pessoas, mais 862 casos do que em 2006. Esses dados referem-se a oito Centros Porta Amiga da AMI: 4 na Área Metropolitana de Lisboa (Olaias, Chelas, Almada e Cascais); 2 na Área Metropolitana do Porto (Porto e Gaia); um em Coimbra; e um no Funchal.
Da população apoiada pela AMI, 79% é portuguesa e cerca de metade reside na área geográfica da Grande Lisboa. Na área do Grande Porto (Porto e Vila Nova de Gaia) o apoio aumentou de 2.291 para 2.611 pessoas (o que representa 35% da população total). As restantes encontram-se distribuídas pelos centros sociais do Funchal e de Coimbra. Estes números não contemplam os dois abrigos nocturnos da AMI (Porto e Lisboa) bem como o centro social de Angra do Heroísmo nos Açores, inaugurado em Dezembro.
Grande Lisboa: mais 30% entre 2003 e 2007
Tendo por base os anos de 2003 e de 2007, na Grande Lisboa, o número de atendimentos aumentou de 2.712 para 3.729 pessoas. Nesse período, 13.926 pessoas recorreram pela primeira vez aos apoios sociais da AMI. O número de pessoas que nos procuram pela primeira vez não regista grandes alterações ao longo dos anos, com uma média anual de cerca de 2.800 novos casos. Em termos de frequência, registou-se uma média anual de 6.500 casos de pobreza.
Mulheres cada vez mais afectadas pela pobreza
Factor a realçar é o aumento do número de mulheres que procuram apoio. Se, em 2000 e 2001, esta percentagem não chegava aos 45%, em 2007, 53% da população que procurou a AMI era do sexo feminino. O desemprego, a monoparentalidade e a violência doméstica poderão estar na origem deste fenómeno. Na área da Grande Lisboa, este diferencial é mais significativo em centros sociais como Chelas (62%), Almada (58%) e Cascais (57%). Na área do Grande Porto, no centro social do Porto (53%) e em Vila de Nova de Gaia (59%) os valores também são superiores. Do(a)s sem-abrigo, 24% são mulheres, tendo aumentado 11 pontos percentuais desde 1999. No centro social das Olaias, verifica-se uma tendência inversa, sendo o fenómeno dos sem-abrigo tipicamente masculino. Os principais motivos referidos por quem nos procura estão relacionados com a precariedade financeira (87%) e o desemprego (40%). Seguem-se as razões de saúde (13%) e a falta de habitação (12%). Os serviços mais solicitados são o Apoio Social (54%%) na procura de um novo projecto de vida e subsequentemente a satisfação de necessidades básicas: géneros alimentares (67%) e refeitório (36%) e vestiário (55%).
Ajuda alimentar: número de pessoas apoiadas triplicou em 2007
No âmbito do Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados, a AMI distribuiu, desde 2002, perto de 2600 toneladas de alimentos. Durante o ano de 2007, a AMI distribuiu 488 toneladas de géneros alimentares, valor inferior ao ano anterior (530 toneladas). No entanto, o número de famílias apoiadas aumentou de 2.434 (2006) para 5.524. No mesmo período, o universo de pessoas apoiadas passou de 5.137 para 16.531 pessoas, três vezes mais.
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Comentário P.E.:
Estes são dados de 2007.
Pelo que podemos inferir para 2009 a população que recorre a apoios sociais, em desespero frequente, aumentou e muito.
Este é um dos campos de batalha do Bloco de Esquerda: os orçamentos estatais e autárquicos têm de privilegiar quer o socorro a estas populações e dificuldades, quer à tomada de medidas preventivas de novas ocorrências de Pobreza.
As autarquias podem e devem ainda desencadear programas que, envolvendo as populações, contribuam para que nos motivemos para tomar em mãos a reinvenção de formas de Luta contra a Pobreza! Esta é uma das, senão A medida principal: a reaprendizagem da Participação Democrática.
As Câmaras têm orçamentos: que sejam aplicados aonde são de facto mais necessários! Não estamos em Crise económico-financeira e social? Então comportemo-nos em conformidade para a combater.
Paulina Esteves




