Opinião
O Marx não “inventou” a luta de classes. Limitou-se a referencia-la como tensão permanente entre interesses de classe adversos, influenciando o rumo das políticas de governação e imprimindo direcções ao processo histórico.
Simplesmente deixou clara a existência e a enorme influência desta permanente “guerra” social, que ao longo do tempo assume aspectos e intensidades diferentes, determinando a forma como as leis são escritas e o curso político é seguido pelos países.
Claramente há aqui dois lados :
-Os mais desfavorecidos, os assalariados, a classe média e pequeno empresariado, e as instituições do estado social que constituem um apoio fundamental para estas classes, de um lado.
E
-Bancos, grandes empresas, lobbys e grande capital financeiro nacional e internacional, do outro.
Mesmo um governo que seja a favor dos primeiros, não poderá ( nesta fase ) excluir ou ir frontalmente contra os segundos, que têm – e terão sempre no actual sistema económico – o incomensurável poder de gerar postos de trabalho.
Na actual fase, (em que o capitalismo é o sistema único e global) uma esquerda responsável pode ter uma relação prudente, mas firme com o grande capital, sem lhe abrir uma guerra declarada, nem o fazer desertar, mas limitando-lhe os lucros e os abusos.
( Esse capital, também necessita para alguns dos seus mais rentáveis negócios, de países de governação estável, com leis claras, com instituições que funcionem, com mão de obra qualificada, com boas redes viárias e de comunicação e com sistemas judiciais funcionais. Para viabilizar alguns dos seus grandes negócios, não se importará de pagar um preço que considere razoável – em impostos e leis laborais desfavoráveis para si – para usufruir dessas condições. )
Dos dois lados da barricada há cidadãos sem moral e sem escrúpulos … e gente honesta, bem intencionada e com preocupações de justiça.
Embora seja claro que isso acontece em proporções substancialmente diferentes.
Cada um de nós escolhe o seu lado. O resto, é politicamente acessório.
É ruído utilizado por “espertos” para baralhar os dados da questão e confundir as escolhas dos incautos.
Onde passa a linha de fractura entre os dois lados ?
Dentro, bem dentro do grande partido do centro político : O PS.
A actual direcção socretina está – tem estado, como o provam as suas políticas – ora descarada, ora timidamente “do lado de lá da barricada”.. Do lado do grande capital, contra as classes médias, os trabalhadores e boa parte dos mais desprotegidos.
É escolher.
A escolha não é entre PS ou PSD ; Isso seria escolher entre saltar para o lume ou ficar na frigideira a fritar.
A escolha é entre construir ou não uma alternativa a este cozinhado no qual, desde há décadas, fazem de nós um ingrediente passivo, cuja vontade própria os “cozinheiros”, com as suas máquinas de desinformação e de propaganda manipulam a seu bel-prazer.
Estraguemos-lhes as contas. Estraguemos o cozinhado. Vamos subverter as opções previstas. Não alimentemos mais o centro político. Vamos apoiar o nosso lado da barricada, votando por uma esquerda de confiança, sempre à esquerda do PS.





