Ordenamento do Território

Ordenamento do Território ou “colagem” de interesses?

- Mantas de retalhos. Ou: de quem serão os interesses que estão a deformar a paisagem da nossa  “Costa do Estoril”?

- Será que se tenta atrair o Turismo desta maneira, com construção a transtornar o desenho da costa? – Não faltará ali “qualquer coisa”?, a continuar o esquerdo do Hotel de 5 Estrelas?…

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Aonde ficou esquecida a parte esquerda do Hotel de 5 Estrelas ?!?...

É estranha a noção estética que preside esta edilidade…

Só quem não passeia pelo paredão não se sente esmagado por esta monstruosa nova construção.

Tem de facto o seu valor arquitectónico, sim, mas não AQUI.

Paulina Esteves

Residências de luxo no Estoril vendem-se sem problemas e sobretudo a portugueses

2009-06-12, em http://dn.sapo.pt/

“Considerado o condomínio português mais caro de sempre, o Palácio Estoril Residências oferece aos futuros residentes um serviço de luxo. Trata-se de um empreendimento que disponibiliza 27 apartamentos em tipologias T 2, T3 e T4, alguns deles duplex, com áreas que variam entre os 187 e os 603 metros quadrados . As salas têm áreas compreendidas entre os 65 e os 100 metros quadrados e os quartos entre 20 e 25 metros quadrados . Quase todos os quartos são suites e os todos os apartamentos têm varandas, entre os 20 e os 150 metros quadrados , com decks de madeira e vista para os jardins.

O projecto, assinado por Gil Graça, é composto por materiais, acabamentos e equipamentos de luxo. O montante investido no empreendimento é de 36 milhões de euros e os apartamentos estão a ser vendidos a valores que vão de 1,2 a 4,2 milhões de euros. Lourenço Vaz Pinto, da Opway Imobiliária, um dos promotores do projecto, diz que “as vendas estão a correr muito bem. O Palácio Estoril Residências foi lançado em Março deste ano e, um ou dois meses após o seu lançamento, apresenta já um terço dos apartamentos vendidos. Com um preço por metro quadrado que ronda os 8500 euros, apresentamos uma taxa de vendas de 33% e uma taxa de reserva de 40%”. A comercialização está a cargo da IRG – Internacional Realty Group, representante exclusiva da Christie’s Great Estates e as previsões das promotoras apontam para que as vendas estejam concluídas no decorrer do primeiro semestre, data em que está também pronto a habitar.

A Estoril-Plage (proprietária do Hotel Palácio e do Golf do Estoril) é também uma das promotoras do projecto. Assim, “os residentes podem ter opção de usufruir dos serviços do Hotel Palácio, desde o room service, ao banqueting, catering, passando também pelos serviços de concierge, limpeza e lavandaria”. Os futuros proprietários vão ainda ter acesso privilegiado ao Golf do Estoril, à Marina de Cascais e ao Elements Spa by Banyan Tree, a inaugurar brevemente ao lado do empreendimento.

O público-alvo destas residências é predominantemente de nacionalidade portuguesa, mas também há estrangeiros residentes em Portugal “pertencentes a uma classe muito elevada, na sua maioria quadros superiores. Falo de pessoas exigentes, com um nível de qualificação elevado, praticantes dos desportos de elite e habituados a estar rodeados do melhor”. De referir que, até agora, as fracções mais vendidas são as maiores e mais caras.”

Cascais real

“Enquanto isto acontece, há cerca de 20 pessoas, despejadas do Fim do Mundo, que continuam por realojar. Mas, seguindo a tradição, o executivo de Cascais lava daqui as mãos e recusa o diálogo com a Associação de Moradores.

Enquanto isto acontece, o Centro de Emprego de Cascais continua a ser dos mais procurados, ocupando o 4.º lugar na mancha negra do desemprego nos concelhos de Lisboa e vale do Tejo (segundo dados do IEFP, relativos a Abril).

Enquanto isto acontece, Cascais continua a ser dos concelhos mais apoiados pela AMI.

Um projecto alternativo para o concelho tem de olhar as suas realidades de frente. Tem de encontrar respostas para esta fractura entre o paraíso dos ricos e a realidade das pessoas comuns, que aqui vivem.”

Cecília Honório

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Os chamados “Projectos de Interesse Nacional” (PIN) foram criticados pela Alda Macedo do BE, que alegou que estes permitem construir hotéis em reservas nacionais, e pel’ “Os Verdes” que apresentaram um projecto de revogação, alegando que o ordenamento do território não pode ser orientado pela gula dos empreendedores do betão (notícia em JN 06-06-2009).

Aliás tal já tinha sido denunciado várias vezes pelo BE: ver post com o Comunicado de Imprensa “Câmara Municipal de Cascais continua a entregar Praque Natural Sintra-Cascais aos interesses imobiliários”.

Quem já viu a famosa nova construção, em fase de acabamentos, sobre o Parque de Palmela e sobre as praias de Cascais-Estoril, sabe do que falamos! Como é possível que se permita este tipo de monstros arquitectónicos que destruam a harmonia restante do património de Cascais?

Construção de torres privadas sobre as Praias de Cascais

Construção de torres privadas sobre as Praias de Cascais

Será assim que as autarquias pensam atrair turismo ao concelho? Com aberrações megalómanas?… Para mais quando como neste caso, em que esta construção veio substituir um edifício hoteleiro por este novo de propriedade horizontal construído com custos milionários e passível de grande especulação financeira!

Estruturas metálicas sobre o mar...

Estruturas metálicas sobre o mar...

…de repente parece-me que estou a passear perto do Dubai e não em Cascais… só que Cascais não é deserto, não precisamos de nada disto para atrair turistas! Pelo contrário. A integridade da nossa paisagem natural e histórica seria a melhor garantia de qualidade de vida e de atracção turística à região! Por alguma razão lhe chamávamos Costa do Sol… E agora, passará a ser costa do metal e do cimento?

P.E.

Melancolia de uma costa de areia e pedra coberta de verde...
Melancolia de uma costa de areia e pedra coberta de verde…

Leia o artigo do blogue Cidadania Cascais, veja as fotos e o artigo do Publico de 2007