Porquê o protesto

O que leva largos milhares de pessoas de todas as idades a gastar uma tarde de sábado a desfilar em protesto na Avenida da Liberdade, em Lisboa?

Uma vez mais, será o sentimento de indignação contra a injustiça a guiar os passos destes portugueses.

Mais do que qualquer outra injustiça, será de referir essa gritante falta de equidade na repartição dos sacrifícios que neste momento estão a ser pedidos  aos portugueses.

É que quem se vê obrigado a retirar do seu prato para pagar impostos, precisa de olhar à sua volta e confirmar que outros estão a fazer o mesmo.

Quem se priva de tomar o café fora de casa e anda com o casaco poído comprado há cinco anos - por não ter dinheiro para outro - precisa de olhar à volta e ver que todos estão a conter-se num esforço conjunto para vencer as dificuldades económicas e orçamentais, agora escolhidas como objectivos prioritários da governação.

Em Março passado (19/03/2010) “O Público”, revelava um estudo em que era demonstrado que mais de um quarto dos portugueses não ia ao dentista por falta de dinheiro, enquanto um quinto não comprava óculos pelo mesmo motivo.

 Mais : Há dois meses atrás um terço dos doentes crónicos  não comprava medicamentos por falta de dinheiro!

Depois abre-se um jornal e vê-se que o ministro contratou 14 secretárias e então percebe-se que algo vai ter que mudar em Portugal, urgentemente.

Os exemplos de contenção têm que vir de cima.

Os lideres, se querem ser seguidos,  devem ir à frente e ser os primeiros a dar os bons exemplos.

De crise em crise, de austeridade em austeridade, de privação em privação, desde há largos anos os portugueses olham à sua volta e o que vêm os seus líderes fazer?

Vêem-nos contratar motoristas, secretárias e acessores em quantidades que ninguém entende. Vêem-nos atribuir-se prémios de gestão, quando as suas empresas são deficitárias. Vêem-nos adquirir frotas de carros de luxo para os gestores de empresas em dificuldades, ou para o seu uso pessoal, enquanto nos repetem  que “não há dinheiro”.

Vêem-nos auferir vencimentos, mordomias e pensões que constituem verdadeiras obscenidades, se comparadas, com os rendimentos médios dos portugueses. É isto, (mas não só), que indigna as pessoas!

Vejam-se alguns dados publicados em jornais:

VENCIMENTOS DE GESTORES – Uma minúscula amostra -





420.000,00 €

TAP

Administrador

Fernando Pinto

371.000,00 €

CGD

Administrador

Faria de Oliveira

365.000,00 €

PT

Administrador

Henrique Granadeiro

250.040,00 €

RTP

Administrador

Guilherme Costa

249.448,00 €

Banco Portugal

Administrador

Vítor Constâncio

247.938,00 €

ISP

Administrador

Fernando Nogueira

245.552,00 €

CMVM

Presidente

Carlos Tavares

233.857,00 €

ERSE

Administrador

Vítor Santos

224.000,00 €

ANA COM

Administrador

Amado da Silva

200.200,00 €

CTT

Presidente

Mata da Costa

134.197,00 €

Parpublica

Administrador

José Plácido Reis

133.000,00 €

ANA

Administrador

Guilhermino Rodrigues

126.686,00 €

ADP

Administrador

Pedro Serra

96.507,00 €

Metro Porto

Administrador

António Oliveira Fonseca

89.299,00 €

LUSA

Administrador

Afonso Camões

69.110,00 €

CP

Administrador

Cardoso dos Reis

66.536,00 €

REFER

Administrador

Luís Pardal: Refer

66.536,00 €

Metro Lisboa

Administrador

Joaquim Reis

58.865,00 €

CARRIS

Administrador

José Manuel Rodrigues

58.859,00 €

STCP

Administrador

Fernanda Meneses

Ao contrário deste cenário de altíssimos níveis remuneratórios, os assalariados recebem precariedade e redução sucessiva de proteção social, congelamento de progressão em carreiras, privação de bens essenciais.

Os cortes nos vencimentos de quadros e líderes em Portugal são suaves e quase simbólicos, se comparados com os efectuados noutros países dessa Europa, que se diz ter como referência.

Retirar 5% ao vencimento de um gestor da banca, deixa-lhe um excelente e desafogado orçamento mensal com o qual não terá de privar-se a sí e à sua família de nada, enquanto que, se se retirar a um empregado comercial ou a um operário 1,5 ou 2% do seu salário, o seu orçamento familiar deixará a descoberto necessidades essenciais na área da habitação, da saúde, dos transportes, das comunicações, da educação dos seus filhos  ou mesmo da alimentação.

Os cidadãos contribuintes perguntam-se : Afinal quem são os responsáveis pelos erros orçamentais e pelo endividamento excessivo de algumas empresas públicas, privadas e do próprio estado português?

Resposta: Os decisores políticos, os governantes e ex-governantes, os gestores do que é público e também do que é privado.

Ora essa casta de decisores, governantes e líderes que tomaram as medidas erradas cujos resultados estão à vista, são hoje os primeiros a recomendar que se depeçam as pessoas, que se roube o 13º mês aos trabalhadores, que se precarize, que se poupe na protecção social, na educação, nas pensões e na saúde.

Injustamente,  são decisores e os gestores aqueles que menos sofrem os efeitos da situação económica que eles próprios criaram.

Remetem para os trabalhadores por conta de outrém quase toda a pesada factura dos erros, de governação e de gestão, de que os trabalhadores não são minimamente responsáveis.

Esse é o tipo de injustiça que não se tolera.

Carlos Augusto Silva


Estoril-Sol: Tribunal de Cascais aceita providência cautelar de trabalhadores despedidos

22 de Abril de 2010, 17:22

 

Cascais, 22 abr (Lusa) – O Tribunal de Cascais aceitou a providência cautelar interposta pela comissão sindical contra o despedimento coletivo da Estoril-Sol, revelou hoje o advogado do sindicato.

“Fui hoje contactado pelo Tribunal que me informou que a providência cautelar interposta pelos trabalhadores na semana passada foi aceite por ter, à partida, fundamento”, disse à Lusa o advogado da Comissão de Trabalhadores do Estoril-Sol, João Camacho.

“Resta agora aguardar pela audiência e esperar que o despedimento coletivo seja suspenso”, acrescentou o causídico.

Despedimentos no Casino Estoril – numa empresa que dá lucro!

Cascais, 20 abr (Lusa) – A comissão de trabalhadores do Casino do Estoril afirmaram-se hoje “desiludidos” com aquilo que consideram ser a falta de resposta do Ministério do Trabalho, sobre a validade dos despedimentos.

“Estamos muito desiludidos. Saímos do Ministério de Pilatos, onde toda a gente lava as mãos e não assume responsabilidades”, disse à Agência Lusa o dirigente da Comissão de Trabalhadores (CT) da Estoril Sol, Clemente Alves.

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O sol põe-se para os trabalhadores da Empresa Estoril-Sol

O Bloco de Esquerda soube hoje pela imprensa que o despedimento colectivo dos 113 trabalhadores da Estoril-Sol deram hoje inicio. Ao que soubemos, estes despedimentos decorrerão de forma sumária até ao final do mês de Maio.

Não compreendemos nem aceitamos que uma empresa como a Estoril-Sol, que existe e subiste com o conluio da Câmara Municipal de Cascais, relembramos que o próprio Stanley Ho que obviamente está à frente da empresa que controla o Jogo em Portugal recebeu das mãos do actual Presidente da CMC medalha de mérito empresarial, possa despedir de forma totalmente infundada mais de 100 trabalhadores.

Não estamos perante uma empresa com prejuízos. Pelo contrário. Já o dissemos em pergunta que o GP do Bloco de Esquerda colocou ao Ministério da Economia e Inovação no inicio do mês de Fevereiro (à qual ainda não se obteve qualquer resposta), segundo a Comissão de Trabalhadores, houve de 2003 a 2009 um aumento de 133 para 193 milhões de euros de lucro. De que forma é que estes aumentos se traduzem na suposta necessidade de despedir trabalhadores, é que não compreendemos e condenamos com veemência.

Sabemos que empresas com a Estoril-Sol movem-se noutros campeonatos, o dos grandes, onde despedir 113 trabalhadores pouco significa para a empresa, ainda que este número signifique também 113 famílias.

O Bloco de Esquerda de Cascais alerta para a necessidade de não se deixar cair no esquecimento mais uma enorme injustiça. Exigimos que o Governo, por intermédio do Ministério do Trabalho, assim como pela Secretaria de Estado do Turismo, tomem uma posição em defesa destes postos de trabalho necessários, assim como o Executivo da Câmara Municipal de Cascais, a quem parece que nada disto diz respeito, esquecendo que foi eleito pela população de Cascais, e não pela administração da Estoril-Sol.

2010-04-14

Bloco Esquerda Cascais