Suspensão do transporte de doentes para fazerem hemodiálise em Cascais
Abr 14, 2010 Actualidade Concelho Cascais, Interesse Público, Saúde
Hemodiálise: suspensão do transporte de doentes em Cascais: pergunta do BE ao Ministério da Saúde (clique para abrir a cópia do documento apresentado na AR)
Assunto: Suspensão do transporte de doentes para fazerem hemodiálise em Cascais
Destinatário: Ministério da Saúde
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República
Diversos cidadãos da área de Cascais, que por terem Insuficiência Renal Crónica Terminal, necessitam de fazer hemodiálise, deixaram, desde 1 de Abril de 2010, de usufruir do transporte de táxi para as clínicas de hemodiálise, o qual era pago pela Segurança Social desde há catorze anos. As pessoas em causa foram informadas, telefonicamente, desta situação pelos respectivos Centros de Saúde, já em data posterior à entrada em vigor da nova medida.
Para continuarem a usufruir do apoio para as deslocações que têm que efectuar, quase diariamente, os doentes têm que, a partir de agora, pagar o táxi eles próprios e, posteriormente, solicitar o reembolso à Segurança Social. Para a maioria dos doentes, muitos com baixos rendimentos, esta despesa é incomportável. Em alternativa, foi sugerido que utilizassem o transporte especial de doentes, efectuado por bombeiros e entidades similares, no entanto não houve por parte dos centros de saúde a preocupação de confirmar se este transporte estaria disponível nos dias e horários das diálises, que, no primeiro turno, têm início às 7h30.
Quando as informações comunicadas telefonicamente, foram solicitadas por escrito, aos Centros de Saúde, tais pedidos foram negados.
Esta parece ter sido uma decisão exclusiva da recentemente empossada Direcção do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Cascais, já que Centros de Saúde de outras zonas continuam a proceder como até agora, pagando os transportes dos doentes que necessitam de fazer hemodiálise, às diversas entidades que prestam este serviço.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:
- Por que motivo foi suspenso o pagamento do serviço de táxi, responsável pelo transporte dos doentes para as clínicas de hemodiálise na área de influência do ACES de Cascais?
- Por que razão os doentes abrangidos por esta decisão não foram informados por escrito e antecipadamente?
- Que alternativas têm os utentes dos Centros de Saúde da área de Cascais, para usufruírem do pagamento do transporte para poderem fazer hemodiálise?
- Pretende o Ministério da Saúde alargar esta medida a outras zonas do País?
- Qual o número médio de sessões de hemodiálise realizadas por doente, nos meses de Março e Abril de 2010?
Quais os encargos médios do Estado por doente transportado para fazer hemodiálise antes da suspensão do pagamento do serviço de táxi? E quais os encargos esperados com esta nova decisão (para o Estado e para os doentes)?
Palácio de São Bento, 13 de Abril de 2010.
O Deputado
João Semedo
Tags: Cascais, Doentes, hemodiálise
DOENTES DO HOSPITAL DE CASCAIS NÃO SÃO ATENDIDOS NO HOSPITAL DE CASCAIS
Dez 9, 2009 Actualidade Concelho Cascais, Interesse Público, Saúde
O Bloco de Esqu
erda de Cascais tem acompanhado atentamente o processo de construção do novo Hospital de Cascais em Alcabideche. Desde a celebração do contrato entre o Ministério da Saúde (através da Administração Regional de Saúde) e o grupo Hospitais Privados de Portugal (HPP), cujo valor ascende, neste primeiro período de dez anos, a 400 milhões de euros, que o BE Cascais vê com inquietação a situação dos utentes que recorrem ao Hospital de Cascais.
Tomámos conhecimento de que existem, diariamente, doentes internados no Hospital de Cascais que se deslocam ao HPP das Lusíadas, a fim de efectuarem exames como TAC, Ecografias e até Raio X. Ao que parece, é frequente a deslocação de doentes, independentemente do seu estado de saúde, depois de chegados ao Hospital de Cascais, esperarem, serem atendidos, serem colocados em ambulâncias, levados para Lisboa, aí serem tratados em condições que não se afiguram as mais indicadas, e depois, novamente trazidos de ambulância para Cascais. Utentes das consultas externas são encaminhados para o HPP, a fim de fazerem ali os respectivos exames
médicos prescritos, doentes internos dos cuidados intensivos em Cascais também, doentes ligados a máquinas, doentes deitados em macas nos corredores, doentes em pé à espera para serem atendidos, e à espera para serem levados de volta…Tudo isto os doentes que são deslocados para o HPP das Lusíadas têm de passar para receber os cuidados de saúde a que têm direito. Para além das deslocações destes doentes, muitos em estado muito grave, ainda ficam longos períodos à espera, a fim de voltarem ao Hospital de Cascais.
O Bloco de Esquerda sabe que estes procedimentos advêm da alteração do estatuto do Hospital de Cascais e das parcerias existente com os hospitais privados. Acreditamos que se o Hospital de Cascais continuasse a ter uma gestão pública, como defendemos que devem ser geridos todos os sectores que constituem pilares básicos na vida das pessoas, esta gestão seria mais próxima dos utentes, sancionada pelos mesmos, e melhorada com vista à melhor prestação de cuidados de saúde, que deve ser a função única dos Hospitais. Não sendo o que se passa com o Hospital de Cascais, o Bloco de Esquerda condena veementemente que, face à ausência de alternativas públicas para cerca dos 230 mil habitantes que recorrem aos cuidados deste Hospital, estes utentes se encontrem obrigados à enorme violência que representam estas deslocações, como se já não bastasse a situação de ter a saúde debilitada, o que não permite que se vislumbre objectivos futuros de centralização no doente e maior humanização na prestação destes cuidados.
Tags: Doentes, Gestão Hospitalar, Hospital, HPP, Público-Privado, Urg, Urgências


