ESCOLA PÚBLICA :Uma possível crise de identidade
Abr 21, 2010 Actualidade Concelho Cascais, Educação, Interesse Público
UMA POSSÍVEL CRISE DE IDENTIDADE
(Miguel Sacramento)
Como cidadão e estudante integrado na comunidade escolar de São João do Estoril decidi por este meio expressar o meu total desagrado em relação aos acontecimentos desenrolados no passado dia 11 de Fevereiro no átrio desta escola.
Tais acontecimentos com que fui confrontado, devem suscitar uma reflexão profunda sobre aquilo que deve significar o espaço escolar e quais deveriam ser as suas responsabilidades e objectivos. Como aluno, assisto frequentemente a ser apregoado, quer pelo Ministério da Educação, quer através dos estatutos sobre a escola pública, quer ainda pelos agentes e direcções escolares, que a escola é uma instituição com especiais responsabilidades na formação académica e cívica dos cidadãos, através da qual são incutidos valores tão fundamentais como o respeito pela liberdade, a democracia, igualdade…e, sobretudo por todos os responsáveis da escola dito e repetido: “A escola é um local de trabalho”.
Concordando com tais pressupostos, sei também que os mesmo estatutos e discursos empregam tal tipo de chavões, mais não constituindo que meros flatus vocis, com a única intenção (infelizmente) de florear e “decorar” discursos e estatutos sobre a escola.
Pretendi, assim, analisar à luz desses valores e objectivos fundamentais da escola pública, a acção “Marketeira” por parte do grupo TMN/PT, na nossa escola, a qual, além de ter decorrido no seu espaço central, a referida acção não se coaduna minimamente com os tais referenciais e propósitos que nos foram sempre transmitidos.
A escola na minha opinião, enquanto estudante, é um local de trabalho, de conhecimento, e de desenvolvimento pessoal e humano, onde se formam cidadãos. Não é deve ser seguramente um local de propaganda publicitária, apelo ao consumo, como se de um espaço à mercê das empresas se tratasse.
A comunidade escolar não é local para formar consumidores, mas sim, um local para formar cidadãos. A escola não deve ser vista como um espaço onde se disputam e angariam potenciais consumidores/clientes, uma vez que os jovens são um alvo apetecível do mercado. A escola não deveria pactuar com tal tipo de propósitos mercantilistas!
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